Amo futebol, mas não jogo!

Foto: pixabay

Ah, eu amo futebol!

— Sério? Em qual posição você joga?

— Na arquibancada.

Mais ou menos assim é o papo de quando uma mulher fala sobre futebol, mas não o pratica. Eu sou uma doida pelo esporte, mas nunca entrei em campo para jogar. Faço parte do futebol feminino, mas minha história é de alambrado, quadras, jornalismo e paixão.


Muitas mulheres se identificam com essa situação, pois respira o esporte mais popular e, no entanto, não jogam. Fazer parte do futebol feminino é ser torcedora, analista e entendedora, mas sem necessariamente ser uma praticante.


Estudo o futebol há 15 anos. A paixão começou em casa por influência do meu pai, um torcedor e atleta. A paixão foi aumentando e, aos 11 anos, eu já era fascinada: tinha álbum de figurinha, escrevia cartas ao clube de coração (psiu! recebia resposta), tinha uniforme, ia ao estádio, mas não tinha interesse em jogar. Quando tentei na escola, foi um fiasco, pois quebrei o braço. Então, meu pai decidiu me colocar na escolinha de futebol e, depois de algum tempo, disse: “— ah, essa não leva mesmo jeito, desisto!”


Meu negócio era pintar o rosto e o cabelo, além colocar o uniforme, amarrar a bandeira no pescoço e arquibancada. Quando eu acompanhava meu pai, ele jogava e eu ficava na torcida observando se ele estava jogando certinho, né? Então o vi jogar torneios, campeonatos, ganhar troféu, ganhar boi, bater pênalti para decidir um título, ou seja, eu vivi uma das melhores fases da minha vida que se tornaram momentos inesquecíveis.


Aos 15 anos, eu já sabia tudo no futebol, acompanhava as peladas do futebol amador, os campeonatos de futsal, além do profissional. Tive a fase do futebol internacional, gostava de acompanhar Champions League,  campeonatos do futebol europeu. Tudo isso porque o meu lateral direito foi vendido em 2005 para o Schalke 04, clube de futebol alemão. Desde então, me apaixonei pela Bundesliga.. Depois fui viajando (em criatividade), comecei a acompanhar o futebol inglês, o espanhol…


Já queria ser rica para viajar e conhecer todos os estádios do mundo. Que fase gostosa! Não foi a toa que  escolhi cursar jornalismo. Eu não prestava para jogar, mas eu podia fazer algo pelo esporte.


Jogar futebol não é comigo. Mas falar de futebol, amo. É só chamar e senta que lá vem história. Muitas mulheres se identificam como torcedoras, mas não como atletas. Eu faço parte do time da arquibancada e se for para vestir uma camisa que seja a 12ª.