Paixão que vem de berço

Por Gabriela Andrade e Jaqueline Dubas 24/03/2019 - 09:28 hs

Na verdade não me lembro exatamente de onde surgiu essa minha paixão pelo futebol. Só sei que quando eu era criança olhava para a televisão e sentia um reboliço dentro do meu ser quando o time que eu torcia era favorecido com um escanteio e pensava: — é agora que a bola entra dentro do gol. Meu coração quase saltava pela boca é algo eletrizante, que sinceramente não sei explicar, inundava todo o meu sistema nervoso. E você?


Guria, sou convicta e sei bem  quando começou essa paixão, foi já no ventre da minha mãe. Aqui em casa é assim: bom dia, futebol. Boa tarde, futebol e boa noite, futebol. Na gestação, minha mãe sentava nas tardes de domingo para ver a bola rolar, e além disso, meu pai sempre foi boleiro. Cresci nas quadras e no estádio. Bom, eu nasci em um. Tive o privilégio de nascer no Hospital das Clínicas de Curitiba, do lado do Couto Pereira, casa do Coritiba, time do meu coração. Mas conte-me mais da sua história.


Então, com o tempo, cresci e aquele amor pelo futebol evoluiu ainda mais a ponto de aquilo se tornar cada vez mais vicário. E sinceramente eu não ligava para o que as pessoas diziam como: — ah, futebol é esporte para homem. Mulher precisa aprender a cozinhar bem para poder se casar e construir uma família. Eu ouvia essas insinuações e a todo tempo um bombardeio de pensamentos surgia na minha cabeça. Por que será que às vezes é tão difícil aceitar que mulher pode sim amar futebol? E quem foi que disse que essa modalidade é só para o gênero masculino?


Pois é. O futebol está no sangue. Segui os passos do meu avô paterno e do meu pai. Acredita que meu avô esteve na inauguração do estádio Belfort Duarte? Ele ia de terno para o estádio. Meu pai não se importou se ele teve uma menina, eu brincava de boneca e de bola, usava vestido, mas nos dias de futebol, era o uniforme do Verdão. E, você já assistiu algum jogo presencialmente?


Sim. Os anos se passaram e o sonho não ficou apenas em assistir futebol pela TV. Era inquietante saber que muita gente estava presente em jogos e sentindo toda aquela energia de ver a bola rolando ali… bem pertinho. Então, comecei a frequentar estádios e me tornei cada vez mais intensa com tudo aquilo que meus olhos acompanhavam.


Realmente, ir ao estádio, sentir a bateria tocar, a torcida se levantar, ver o gol e abraçar um desconhecido é a melhor sensação do mundo. Assistir futebol é terapia, desde que não seja do meu time, porque se for, eu falo sozinha com a televisão e eu nunca concordo com a escalação.


Hoje, posso dizer que o sentimento de paixão, amor e tudo que pode ser classificado como bom, me persegue de uma forma que eu amo a ponto de não conseguir viver mais sem essa sensação. Não consigo mais deixar de amar o futebol e, cada vez que assisto a jogos (mesmo que não seja do meu time), meu coração palpita de forma diferente. Ele pulsa como se fosse sair pela minha boca a qualquer momento.


É um amor verdadeiro, Gabriela. Futebol me ensinou muito e me guiou na vida, hoje, sou assim uma amante do futebol e agraciada por ter nascido uma boleira.


Sabe que eu também sinto isso, Jaqueline?


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