O futebol feminino é mais que uma obrigação

Evento promovido pela Escola THE 360 recebeu mulheres envolvidas no meio futebolístico para debater questões relacionadas à modalidade.

Foto: Vinícius Amaral

Nessa sexta-feira (22), a Escola THE 360, que busca mudança no futebol, promoveu o evento: Futebol Feminino — muito mais que obrigação. Thais Picarte, atualmente goleira do São José (SP), foi a primeira a falar sobre as  experiências dela, como o início da carreira e as dificuldades que ainda enfrenta. Em seguida, foi a vez de Rosana Augusto contar um pouco sobre a trajetória que percorreu e do preconceito que encarou dentro de casa.


A terceira atleta a compartilhar sua história foi Neide Oliveira. Ela dividiu com o público as experiências vividas ao longo da jornada como jogadora profissional de futsal e futebol de campo e explicou a paixão pela escrita. Ela conta ainda que foi por meio desse interesse que conseguiu contato com o Racing Club de Avellaneda, conhecido como  Racing da Argentina, um dos maiores clubes que acopla algumas das cinco grandes torcidas do país . “Uma coisa que eu gosto de fazer bastante é gerar conteúdo e escrever. Através de uma ferramenta muito boa que é o LinkedIn, consegui meu primeiro contato lá fora”, rememora.


Sandra Santos, primeira Coach da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, explicou sobre a importância em tratar os atletas como indivíduos e frisou na questão de dar  atenção às necessidades deles, bem como motivá-los. Dessa forma, haveria melhora no rendimento e nos resultados. O evento também proporcionou um reencontro entre a coach e Neide Oliveira, Sandra foi a primeira técnica da atleta.



Podcast

Milene Domingues, ex-jogadora de futebol, gravou um episódio para o podcast THE 360. Ao longo da conversa, ela debateu a  igualdade de gêneros, principalmente dentro do futebol e avaliou as mudanças que aconteceram na modalidade desde quando ela começou a jogar até os dias de atuais.


Mulheres na gestão do futebol

Para fechar com chave de ouro o evento, Maria Luiza Cavalcante,  líder dos Comitês de Esportes e de Combate à Violência contra a Mulher do Núcleo Goiás do Grupo Mulheres do Brasil, debateu sobre a importância de as mulheres ocuparem cargos de gestão. Para complementar, Cris Gambaré, diretora de Futebol Feminino do Corinthians, também discursou acerca da temática, ou seja, como mostrar o retorno financeiro que o futebol feminino gera para os clubes.


Maria Luiza defendeu que, além do campo, as mulheres também devem ocupar altos cargos de gestão. Dessa forma, elas estariam mais presentes em todas as áreas da sociedade, desde a base até o topo.


Por sua vez, Cris Gambaré contou das conquistas extracampo do time feminino do Corinthians. Elas fizeram um mutirão para reformar a "Fazendinha", que estava há anos desativada e conseguiram tornar o espaço do futebol feminino do time, além da inédita categoria de base feminina, que teve início em 2019.


Em linhas gerais, o evento mostrou a importância do futebol feminino e como a categoria atrai ao público gerando interesses em investir no ramo. Sem esquecer, claro, das dificuldades enfrentadas por mulheres no passado  que, apesar de tudo, persistem.


Neide Oliveira resumiu o que é preciso para que o futebol feminino deixe de ser visto como uma obrigação e passe a ser encarado do mesmo jeito que o masculino: "Para isso é preciso: entender, empreender e fazer acontecer”, finaliza.